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Roda de Pesquisa valoriza a escuta e o acolhimento


A II Roda de Experiências de Pesquisa, na manhã do dia 14, foi marcada por apresentações que valorizaram a escuta e o acolhimento em saúde. As experiências apresentadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelas universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Juiz de Fora (UFJF) permitiram o debate em torno da pesquisa qualitativa, apontando os caminhos para ouvir as demandas dos usuários.

 

Renata Cerqueira abriu a roda indicando a relação saúde e religiosidade como um importante componente da fala dos usuários, que deve ser percebida no projeto do atendimento integral. Na visão da pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Publica Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), existe uma rede de sentidos que deve ser estudada para a compreensão do sofrimento psíquico do doente. Renata optou pela pesquisa após constatar que muitos relatos dos usuários versavam sobre a religiosidade.

 

Outro trabalho que chamou a atenção dos participantes da roda foi o da também pesquisadora da Fiocruz, Tereza Amin, que apresentou seu trabalho sobre a redução do sofrimento de pacientes internados. Tereza ponderou sobre a participação da família e do profissional de saúde nesse processo de internação, que o paciente se sente deslocado, com sua intimidade invadida e sem autonomia e decisão sobre a própria vida. Para a pesquisadora, a família sente a dor da internação “a flor da pele” e o profissional “a flor dos olhos”. Uma das proposições de Tereza e a manutenção de um grupo de reflexão para os profissionais com foco nesse sofrimento. Tereza concluiu sua apresentação lembrando que e preciso reconstruir “o mundo do prazer” durante a internação e isso pode ser feito através de um “viver criativo na internação”.

 

Roda de pesquisa mobiliza participantes do V Seminário

A psicóloga da UFRJ, Virgínia Reis, tratou do cuidado ao idoso em sua apresentação. Ela valorizou a percepção do doente e não da doença para o atendimento ao usuário. Na sua compreensão o Brasil ainda vê a velhice como patologia e é preciso rever essa valoração, uma vez que o país tem envelhecido muito, nos últimos 20 anos. O trabalho de Virgínia faz uma avaliação dos cursos de formação profissional de cuidado ao idoso, os conhecidos cuidadores. Segundo ela, é preciso ouvir os cuidadores e suas experiências para formular práticas que melhor atendam aos mais velhos.


Antes do debate, os participantes da roda puderam conhecer a experiência dos conselhos locais de Juiz de Fora, apresentada por Fabiana Souza e Rubiane Ribeiro. As estudantes de serviço social explicaram o valor consultivo dos conselhos locais, que servem para debater as demandas sociais daquelas comunidades. A avaliação dos conselhos é que eles estão inseridos nas discussões dos grupos sociais, porém precisam reconhecer melhor o seu papel para não se resumirem a um balcão de reclamações.


A roda foi encerrada com um debate entre os expositores e a platéia, que fez uma série de provocações, rendendo uma boa investigação da necessidade da pesquisa em escuta e acolhimento. A platéia pontuou a reivindicação dos entrevistados nas pesquisas em participar das metodologias. “As pesquisas devem ser feitas com os usuários e não sobre os usuários”, afirmou Adrina de Sá Mesquita, da maternidade Erculano Pinheiro. Para Adriana, que assistiu a roda, o interessante de iniciativas como essas é cada um poder levar para o seu local de trabalho o que os colegas estão pesquisando. Adriana já pensa em um projeto para implantar uma roda de experiências na maternidade.


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