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Residentes se articulam durante o V Seminário


O V Seminário do Projeto Integralidade foi também um espaço para que movimentos atuantes no cenário da saúde do país se articulassem em prol de diversas causas, tendo vez e voz. Entre estes grupos, estavam representantes de instituições conveniadas ao programa de Residência Integrada de Saúde, que mobilizaram outros residentes e organizaram duas reuniões com o tema Residência integrada em saúde: articulação ou extinção?.

 

Primeiro dia de reunião da Residência Integrada em Saúde

O objetivo destes encontros foi compartilhar experiências e, assim, iniciar uma rede nacional de residentes para discutirem o atual processo de formação ao qual estão submetidos para, proporem mudanças. 

Discussões em torno da formação multiprofissional em saúde têm sido levantadas em âmbito nacional, mas têm encontrado resistência de alguns órgãos, como o Conselho Federal de Medicina. Quem ressalta isso é o residente Geert Ferreira, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz), que participou dos encontros durante o V Seminário e já havia tido contato com este debate durante o VI Congresso Nacional da Rede Unida, em Belo Horizonte.  “O Conselho vem falando contra as residências multiprofissionais, em defesa da separação das disciplinas. Mas acreditamos que um trabalho, para ser bem feito, não precisa ser separado e, embora reconheçamos que existam competências específicas de cada profissão, achamos que é preciso trabalhar em conjunto”, afirma Geert.

 

O trabalho da residência multiprofissional é fundamentado no princípio da integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS), na medida em que não compartimenta a saúde, mas, ao contrário, a compreende de uma forma mais ampla, a fim de atender às necessidades da população. No mês de junho deste ano, foi aprovada a criação da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde, que iniciou seus trabalhos recentemente. Em função disso, os residentes desta área começaram a se articular, na tentativa de se organizarem e interagirem com esta comissão, influenciando em decisões, com base em suas vivências.

 

Residentes de diversos estados se reúnem durante o V Seminário

 

Residentes do Grupo Hospitalar Conceição (GHS/RS) e da Escola de Saúde Pública de Murialdo (RS) estiveram à frente das reuniões realizadas nos dois primeiros dias do V Seminário. Há aproximadamente dois meses eles vêm discutindo questões em torno da Residência Integrada em Saúde e, segundo Bárbara Barreiros, do primeiro ano da residência de Medicina de Família e Comunidade do GHS/RS, em janeiro, no V Fórum Social Mundial, já havia começado um movimento neste sentido. Ela considerou as reuniões importantes para levar esclarecimentos aos residentes quanto às propostas de criação de uma representatividade de âmbito nacional, bem como para ouvir experiências. “Tivemos a oportunidade de nos conhecer um pouco e compartilhar angústias com relação à conjuntura, à troca de Ministério (da Saúde), ao que está acontecendo em cada unidade.

Estamos montando uma lista de e-mail e algumas pessoas já se comprometeram a escrever textos. A partir de agora, vamos nos comunicar via internet para esquematizar os próximos passos”, destaca a residente. Os participantes se comprometeram a estender as discussões às instituições que representam e, em longo prazo, pretendem organizar uma oficina para ampliar reflexões sobre a formação nas residências, a regulamentação do ensino e outras problemáticas.


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