Trabalho em equipe é discutido em mesa do V Seminário
A mesa-redonda Trabalho em Equipe e a Alteridade dos usuários: concessão ou intersessão?, realizada na manhã de hoje, teve o objetivo de debater os desafios e as estratégias para a formação profissional em saúde, relevando a escuta e o respeito ao direito de escolha do usuário.
O primeiro palestrante, Ricardo Burg Ceccim, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), recorreu à poetisa Clarice Linspector, aos conceitos de corpo com órgão e corpo sem órgão do filósofo Deleuze e ao filme Fale com ela, do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, para, a partir das idéias de afecção, alteridade e intercessão, destacar a importância do usuário centrado. “Ativar um corpo sem órgão é uma luta política e essa luta tem que ser em defesa do usuário centrado”, afirmou Ceccim. Ele ainda destacou que a relevância ética dessa atitude está em afirmar e reconhecer o outro e não a técnica ou o profissional.
Já Emerson Merhy, da Universidade de Campinas (Unicamp), refletiu sobre o trabalho de equipe na saúde. Após analisar as semelhanças existentes entre os grupos por ele pensados e o grupo em saúde, o professor afirmou que “a alteridade não se constitui do usuário para a equipe, mas na micropolítica da própria relação, na medida em que o que está em jogo é um conjunto de alteridades que estão interagindo”.
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Marise Ramos, vice-diretora de ensino e informação da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, destacou a importância do trabalho em equipe e o descreveu como o momento em que o homem, mais do que em qualquer outro, se realiza como tal. Além disso, apontou a impossibilidade de se efetuar plenamente o trabalho em equipe em função das ideologias dominantes. “O trabalho em equipe não consegue superar as características do modo de produção capitalista, centrado na divisão social do trabalho”, ressaltou Marise. |
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Mesa Trabalho em equipe e alteridade dos usuários: concessão ou intersessão? |
Marise Ramos, vice-diretora de ensino e informação da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, destacou a importância do trabalho em equipe e o descreveu como o momento em que o homem, mais do que em qualquer outro, se realiza como tal. Além disso, apontou a impossibilidade de se efetuar plenamente o trabalho em equipe em função das ideologias dominantes. “O trabalho em equipe não consegue superar as características do modo de produção capitalista, centrado na divisão social do trabalho”, ressaltou Marise.
A professora da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e também pesquisadora do Lappis, Regina Henriques, levantou algumas questões para se pensar o trabalho em grupo, relativas ao cotidiano dos trabalhadores de saúde e alguns grupos específicos, como os docentes e os estudantes. “Convivemos com outros grupos que nos trazem todas as complexidades, todas as suas idéias”. Conclui sua fala dizendo que seu objetivo não é colocar algo fechado, mas que possa ser reinventado no momento da discussão.
Aluísio Gomes da Silva Júnior, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense (UFF), falou sobre alguns desafios que gestores, trabalhadores da saúde e também os que atuam com políticas de saúde têm com relação à idéia de formação de profissional em saúde para a escuta. “Pressuponho que uma das qualidades que interferem no desenvolvimento de qualquer proposta de integralidade é a capacidade de escutar as necessidades do outro e dialogar com as pessoas”, destaca.
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