LAPPIS

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Fim para o V Seminário, recomeço para a integralidade


Onde estão as vozes da participação? Essa foi a principal questão da última mesa do V Seminário Nacional do Projeto Integralidade. Para encerrar o evento, o Lappis convidou Alcindo Ferla, da Universidade Federal de Caxias do Sul (UCS/RS), Inesita Araújo, do Centro de Informação Científica e Tecnológica (Cict), da Fiocruz, Victor Valla, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp), também da Fiocruz, e Iracema Vieira, da Associação de Parentes e Amigos dos Pacientes do Complexo Juliano Moreira (Apacojum). A oportunidade de juntar, na mesma mesa, três acadêmicos e um usuário de saúde (Iracema) deu a dimensão exata aos participantes do que é o Projeto Integralidade.

 

Se, durante o evento, foi discutida a multidisciplinaridade como objeto de trabalho à integralidade, pontuou-se também uma multisapiência, que está além das disciplinas, no campo dos saberes. Alcindo Ferla reforça essa idéia de rede de saberes, afirmando que a inovação não está nas margens dos rios (que seriam os limites das disciplinas) e sim, no seu meio. Outra lembrança de Alcindo foi um trecho de Nitzsche em que “todos devemos ser bons vizinhos das coisas mais próximas e do presente”. Alcindo usou essa referência para questionar sobre que vozes deveriam ser ouvidas.

 

A pesquisadora, especialista em comunicação e saúde, Inesita Araújo, também instigou a platéia. Para ela, o importante é saber “onde estão as vozes?”. A doutora enfatizou o elo entre a comunicação e a integralidade. Para ela, a comunicação em saúde ainda vem sendo feita somente pela via institucional, o que não segue a tendência de descentralização proposta pelo SUS. Inesita acredita que a circulação da informação deve acontecer de forma heterogênea.


Mesa Onde estão as Vozes da participação?
 

 

Victor Valla chamou a atenção do público com a pesquisa Educação e Pobreza. O pesquisador citou alguns casos analisados na comunidade de Manguinhos, onde crianças disputam alimentos com os ratos, devido à insalubridade da região.

Ele falou sobre a presença dos religiosos nessas comunidades e a atuação dos agentes comunitários de saúde como intermediários entre as comunidades e os gestores de saúde.

Aplaudida pelos participantes, Iracema demonstrou a importância de dar voz aos participantes e protagonistas desse projeto, os usuários. Ela falou sobre sua experiência como parente de um portador de doença mental, enfatizando que o cuidado, a escuta, o acolhimento, muitas vezes, são mais imediatos do que os medicamentos. “Às vezes, o usuário só quer sentir uma mão no ombro, um carinho”, afirma a representante da Apacojum. A mesa de debate foi encerrada com música para celebrar o final de mais uma experiência em integralidade.  


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