A Integralidade, a Marca, o Site
Não há, talvez, na
iconografia das logomarcas que são criadas a todo momento no mundo, imagem
utilizada com tanta freqüência quanto o Estudo das Proporções, ou
Cânon Vitruviano de Leonardo da Vinci, como é nomeado um de seus desenhos
mais perfeitos e conhecidos. O que será que nos levou a utilizar tal imagem mais uma vez,
correndo o risco de banalizar uma marca tão original e representativa do
Movimento Sanitário brasileiro como a Integralidade? Justamente isso, a Integralidade.
| Para sermos coerentes e
integrais em nossa proposta visual para este site, não poderíamos deixar de
considerar o Cânon relacionado diretamente aos estudos de da Vinci sobre a
quadratura do círculo, e expressando o ideal pitagórico plenamente assumido na
Renascença, de que "o homem é a medida de todas as coisas", segundo o dito de
Protágoras imerso na dimensão total do trabalho, da obra e da vida de Leonardo da
Vinci, bem como participante de um momento histórico e social dessa nossa Humanidade.
Essa imagem e, por extensão, os significados da Renascença e de Leonardo da Vinci,
expressam de modo suficiente e pertinente a noção de Integralidade com a qual
trabalhamos. |
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Assim,
utilizamos a marca em sua plenitude, fazendo-se acompanhar de frases e ilustrações de
Leonardo da Vinci ao longo de todo o site, a ponto de essas menções tornarem-se elemento
de constituição conceitual de todo o trabalho. Como nosso pensamento age em
rede, fomos aos poucos descobrindo que, mais do que o homem ou a época, um conceito
Leonardo da Vinci está totalmente adequado às nossas formulações sobre a
Integralidade, e tal identidade provocou até mesmo a necessidade de nos expressarmos em
dois outros materiais: um breve
ensaio específico e uma tirinha em
quadrinhos.
Unidade na diversidade, o
homem no mundo e o mundo no homem, as relações entre o meio e a mente, a
desfragmentação, a interdisciplinaridade, a simbiótica relação entre teoria e
prática, tudo parece expresso na imagem do homem postado (estático, e em movimento) no
centro do círculo/quadrado. As ilustrações de Leonardo, e suas frases, contextualizam e
amplificam os sentidos dessa imagem. A palavra que automaticamente surge em nossa mente,
ao nos depararmos com o Cânon, é "integral". Assim, ouvindo o conselho de
Caetano Veloso, para quem algo muitas vezes "pode sempre ter estado oculto quando
terá sido o óbvio", por que temer o óbvio? O importante é ter dado sentido às
escolhas e perceber sua total adequação à resolução dos problemas.
As imagens de
Leonardo foram extraídas dos sites:
http://www.visi.com/~reuteler/leonardo.html
http://www.kfki.hu/~arthp/html/l/leonardo/index.html
As frases foram coletadas do livro Os Escritos de Leonardo da Vinci sobre a
Arte da Pintura (Editora UnB, Brasília, 2000).
A Logomarca
do LAPPIS foi criada por Caco Xavier, a partir de estudos sobre o Cânon
Vitruviano.
A Renascença e Leonardo da
Vinci
O que chamamos
Renascença refere-se a um período, e não a um evento. Não é possível,
portanto, delimitar exatamente uma data para ela. No entanto, há unanimidade em situar
tal período entre os anos de 1.300 e 1.600 DC. O sentido do termo é mesmo de um
renascimento do homem e da humanidade, retomando ideais clássicos
(greco-romanos). Iniciada em Florença, na Itália, a Renascença marca a
passagem da Idade Média para os tempos modernos: o papado e o feudalismo estavam em
declínio, os bárbaros e os vikings haviam se retirado, e a Europa via
surgir em toda a parte monarquias centralizadoras.
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A Renascença trouxe uma
nova concepção do ser humano, na verdade um bem-vindo humanismo, por um lado liberado
das amarras teológicas que marcaram o período anterior, e por outro ainda não premido
pelas noções cartesianas. A retomada de ideais gregos trouxe uma expansão criativa às
ciências e às artes, e o chamado homem da Renascença identificava-se com a
diversidade do conhecimento e com a busca de novos sentidos para a própria existência.
Ao mesmo tempo, é fácil perceber que uma nova concepção de ser humano leva a uma nova
compreensão do mundo. Assim, um novo ceticismo tem lugar na relação entre o
homem e o mundo, com o questionamento das tradições e da autoridade. |
Além disso,
a vida sobre a Terra passou a interessar bem mais do que o depois-da-vida
junto a Deus, o que revestiu de significados o estar-aqui, inclusive com maior ênfase nas
artes, na política e nos prazeres.
Leonardo da Vinci é
visto como o homem da Renascença arquetípico: pintor, botânico,
matemático, escultor, engenheiro, geômetra, cientista-artista, artista-cientista,
ambidestro. Leonardo nasceu em 1452, perto de Vinci, na Toscana, filho ilegítimo de uma
aldeã com um tabelião, e viveu primeiramente em Florença, onde estudou com Andrea
Verrocchio. Mais tarde, mudou-se para Milão, onde tornou-se conhecido. O auge de sua
carreira coincidiu com as alianças entre Cesar Borgia e o rei francês Luís XII, quando
recebeu o título de engenheiro-geral de toda a Toscana. Em 1513, seguiu para Roma, onde
viveu uma experiência curta, mas intensa. Retornou a Milão, viajou bastante e, por fim,
estabeleceu-se na França, sob o reinado de Francisco I, por não ver "nenhum
príncipe italiano a quem se dirigir, já que Rafael reina no Vaticano, Michelangelo em
Florença e Ticiano em Veneza". Em 1516, instalou-se no Château de Amboise,
onde morreu dois anos depois.
Leonardo da Vinci recebeu
grande reconhecimento em vida, e Michelangelo foi o único artista da época a
compartilhar com ele essa glória. A pintura foi sua arte central, ao redor da
qual sua compreensão do mundo e do homem melhor se expressava. Embora tenha produzido
milhares de páginas contendo esboços, desenhos, anotações e esquemas das mais variadas
armas de guerra, máquinas de voar, aquedutos, estudos anatômicos, de proporção, de
botânica, de geometria, etc, seus escritos sobre a pintura são o ponto de partida e a
essência de Leonardo da Vinci, e isso fica bem claro quando prestamos atenção a esta
simples frase:
"O bom pintor é
aquele capaz de representar duas coisas principais, chamadas homem e os
trabalhos da mente do homem'."
Equipe
de Comunicação
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