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Integralidade
Muitos sentidos se combinam e se conflitam na formação da idéia de Integralidade. Pelo
aspecto legal, trata-se de um dos princípios do Sistema Único de Saúde SUS,
previsto na Lei Orgânica da Saúde.
Um primeiro sentido de Integralidade como valor para a saúde relaciona-se com o movimento
que ficou conhecido como medicina integral, que denunciava a especialização crescente
dos profissionais de saúde. Desse momento, surge a primeira base de definição da
Integralidade: o comportamento do profissional de saúde.
Quando, no Brasil, as discussões da saúde se deslocaram da observação da prática
médica para uma reestruturação do sistema, Integralidade passou a ser pensada como o
próprio viés da mudança. Com a Reforma Sanitária Brasileira, a atenção integral se
tornou uma das diretrizes do SUS. Talvez a principal delas.
Incorporada ao sistema como princípio, a noção de Integralidade está presente em
vários níveis das discussões e das práticas na área da saúde. Ela passa pelo
comportamento dos profissionais isoladamente e em equipe, pelas relações dessas equipes
com a rede de serviços como um todo, pela formação dos profissionais, pelas políticas
públicas e por um desenho coletivo de sistema preparado para ouvir, entender e, a partir
daí, atender às demandas e necessidades das pessoas.
O trabalho do LAPPIS, ao longo de seu amadurecimento como grupo de pesquisa, tem sido
propor formas alternativas de se compreender e agir em relação à Integralidade. O
conceito de Integralidade defendido pelo grupo não se fecha em modelos ideais, mas, ao
contrário, abre espaço para sua natureza polissêmica. Por outro lado, se permanecer
indefinida e ampla como vem sobrevivendo, a Integralidade passa a significar tudo e,
portanto, nada. Resulta daí o esforço do LAPPIS de buscar metodologias para construir um
conceito operatório para a idéia de atenção integral, uma definição construída a
partir das práticas e das relações, na qual as pessoas, as instituições e os
serviços possam se reconhecer.
Escuta, cuidado, acolhimento, tratamento digno e respeitoso são algumas idéias que
certamente participam dos sentidos da Integralidade. Olhar o ser humano como um todo,
substituir o foco na doença pela atenção à pessoa, com sua história de vida e seu
modo próprio de viver e adoecer são outras pistas. Reconhecer e lidar com diferentes
saberes, abrir mão de modelos pré-estabelecidos e se dispor a discutir e experimentar os
alcances e limites do que pode ser a Integralidade torna-se também um caminho. A
Integralidade poderia ser encarada exatamente como essa ação social de interação
democrática entre sujeitos no cuidado em qualquer nível do serviço de saúde.
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