Incubadora

Esta seção pretende, ao tornar-se um espaço de divulgação de notícias e reportagens ligadas às casas de parto e à saúde mental, homenageando David Capistrano. Sempre preocupado com a humanização da assistência, foi responsável pela criação da primeira Casa de Parto e novas formas de pensar a saúde mental. Ações estas, coerentes com os princípios da Integralidade, em defesa da vida e do direito dos cidadãos.

DavidCapistrano.jpgAo falarmos de David Capistrano na Saúde Mental não podemos deixar de encará-lo como um expoente. Sua sensibilidade e apoio ao processo da Reforma Psiquiátrica brasileira levaram ao seu reconhecimento como uma figura importante na política da Reforma Sanitária. Em fins do período da repressão política, os hospitais psiquiátricos eram a principal instituição de tratamento dos portadores de transtornos mentais.

Confira a entrevista com o pesquisador do LAPPIS e mestre em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro-UNIRIO, Edvaldo Nabuco, que atua na produção do documentário que tem como tema “Memória e Saúde Mental”, a ser exibido no final deste ano. O local e a data de exibição ainda serão definidos. O documentário retrata a questão da saúde mental no município de Paracambi, interior do Estado do Rio de Janeiro, desde a intervenção ocorrida em 2001, coordenada pelo Ministério da Saúde. Edvaldo contou ao BoletIN um pouco da experiência de produzir um documentário deste tipo, a importância e a proposta deste trabalho.

Nessa entrevista Kátia Ratto e Marcos Augusto Dias falam a respeito da Casa de Parto David Capistrano, seu funcionamento e sua inserção no princípio da Integralidade. Ela é médica pediatra, sanitarista e coordenadora do Atendimento Integral de Saúde da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro; ele é médico obstetra e gerente do programa de saúde da mulher da mesma Secretaria. 

Em 1999, o Ministério da Saúde emitiu uma portaria regulamentando as casas de parto dirigidas por enfermeiros obstetras, que foi um passo importante para o movimento pela humanização do parto. Em países como França, Japão e Holanda, o parto humanizado já se encontra estabelecido, e a luta por ele vem se fortalecendo também no Brasil. Ao contrário do parto hospitalar, o humanizado trata a mãe e o bebê de uma forma integral, como pessoas inseridas em um contexto social, e que têm necessidades que vão além de uma anestesia ou uma cesariana, procedimentos impensáveis dentro do conceito humanista de nascimento. 

Não fossem o letreiro e a ambulância estacionada na garagem, a casa cor de rosa em nada lembraria uma casa de parto aos olhos de um leigo, pois essa é uma das primeiras inovações, conforme explica Leila Azevedo, enfermeira coordenadora da casa de parto: “O ambiente desconstrói a idéia de hospital, não tem aquele cheiro de éter, tem mais colorido, lembra mais uma casa”. É realmente como se fosse uma casa, desde a entrada, com cadeiras de balanço feitas de vime enfileiradas, até as salas de consulta. 

A Casa de Parto é parte da rede municipal de saúde e o atendimento é gratuito no Rio de Janeiro. Para ser atendida, a mulher precisa morar nos arredores da Casa, nunca ter feito cesariana e a gravidez não pode ser de risco. Caso não se enquadrem nesse perfil, elas são transferidas para a maternidade de referência, a Alexander Fleming. Também é para lá que devem ser levadas as mulheres que venham a ter complicações no parto. O hospital fica a sete quilômetros da Casa. “De ambulância leva dois minutos”, segundo o motorista Marco Antônio. “É o nosso tempo recorde”, se orgulha. A transferência é facilitada para as mulheres provenientes da Casa, pois as enfermeiras da equipe também fazem plantão no Alexander Fleming.

Para fazer parte da equipe de enfermeiras da Casa de Parto, é necessário ter pelo menos cinco anos de experiência com enfermagem obstétrica. “É a experiência na sala de parto que permite ao enfermeiro identificar possíveis complicações e avaliar os riscos”, diz Leila Azevedo, enfermeira coordenadora da casa de parto. Todos os enfermeiros precisam estar de acordo com a proposta do parto humanizado, mas não são apenas eles que entram no espírito da Casa: “desde a cozinheira até o motorista, todos vestiram a camisa da casa de parto”, afirma. 

Experiências desse tipo começaram no Brasil no final da década de 70, mas só foram regulamentadas pelo Ministério da Saúde em 1999. O projeto atende às recomendações da OMS e experiências semelhantes têm obtido bons resultados no Japão, Holanda, Dinamarca e Estados Unidos.As casas de parto já estão presentes em algumas cidades brasileiras como São Paulo, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Recife e Brasília. No Rio de Janeiro, a Casa de Parto David Capistrano Filho, pioneira na cidade, foi inaugurada em Realengo, e causou polêmica desde antes de sua inauguração.

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