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O 17º Seminário do Projeto Integralidade do Lappis, grupo de pesquisa do CNPq vinculado ao IMS, também marcou o lançamento do livro ‘Vulnerabilidades e resistências na integralidade do cuidado: pluralidades multicêntricas de ações, pensamentos e a (re)forma do conhecimento” organizado por Roseni Pinheiro, Tatiana Gerhardt e Felipe Asensi, e editado pela Editora CEPESC. Roseni explica que a proposta de disponibilizar, gratuitamente para download, as presentes e futuras edições dos livros frutos dos avanços epistemológicos no campo da Integralidade em Saúde ligados ao Lappis é antiga. “Queremos incentivar o acesso ao conhecimento com base na perspectiva da Comunicação Pública, que propõe direcionamentos movidos pela proposta de democracia”, ressaltou.

Faça o download do livro AQUI

"O nosso maior objetivo é  desenvolver, a cada dia, mais análises e compreensões, para que  juntos possamos enfrentar as dificuldades, superar os obstáculos e desafios que estão pela frente", disse a líder do grupo de pesquisa LAPPIS Roseni Pinheiro, em entrevista durante o pré-evento da 17ª edição do Seminário do Projeto Integralidade: Saberes e Práticas no Cotidiano das Instituições de Saúde, promovido pelo Lappis/IMS/UERJ e PPGPSI-UFES com apoio da Capes, que acontece na UFES, Vitória, até dia 19 de outubro.

Cinco regiões do país, 17 Estados e o total de 740 inscritos. Superando expectativas, o seminário que completa 17 anos com o tema "AMOR MUNDI, POLÍTICAS DA AMIZADE E CUIDADO: A VIDA NA SAÚDE, ofereceu 17 minicursos de diversas áreas da saúde, com foco no “cuidado”. Para Roseni, um dos objetivos dos minicursos é expandir o conhecimento dos futuros profissionais e dar a eles estruturas para os próximos passos. "Nesses encontros oferecemos uma compreensão de ciência na saúde e da saúde para outras áreas afins. O aluno e o profissional sempre serão o nosso foco. É necessário ‘alargar’ a mentatalidade sobre a compreensão desses processos e com a responsabilidade pública que cada um de nós temos para enfrentar, superar e alcançar os objetivos de uma afirmação de vida e direito para todos", ressaltou.

Para a enfermeira obstetra Carla Guanabens, do Hospital Sofia Feldman (MG), uma das professoras da atividade "Saúde da mulher e o parto humanizado", os minicursos são importantes para a conscientização dos alunos sobre a relação "médico-paciente". Ela afirma que os temas abordados nesses cursos rápidos, de um modo geral, não são falados com frequência, mas deveriam ser. "Os participantes são ou serão os futuros profissionais que estarão na linha de frente, e se não se sabe ou não se fala como se vai desenvolver estratégias de mudança para combater? Por isso que essas oficinas são tão importantes, que além de desenvolverem um olhar político, também aprendem a se colocarem no lugar do outro", explica Carla.

O professor Getúlio Pinto, psicólogo na equipe do Programa de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (PAVIVIS), trouxe o tema "Saúde e Violência contra a  mulher". O pesquisador apresentou relatos de pacientes e ao final pediu para que cada uma das participantes lessem e falassem dos obstáculos que o sexo feminino tendem a enfrentar. Segundo Getúlio, mesmo que a sociedade seja patriarcal, assimétrica e machista, quando encontra um espaço, a saúde sai dessa visão totalmente protocolar para poder trazer uma visão de fortalecimento dos sujeitos, como sujeito e não como objeto, por exemplo da prática em saúde, já estamos revolucionando.

"Comunicação em saúde" foi o tema do minicurso da professora Juliana Lofego, da UFAC, com conceitos de como acontece a comunicação no âmbito da saúde e perspectivas do dia-a-dia. A jornalista e pesquisadora explicou que mais do que se comunicar, é preciso saber se o ouvinte está entendendo, e deu um exemplo: "um médico pode passar uma prescrição para o paciente, mas tudo vai depender da interação entre eles, o médico precisa construir uma relação de confiança com o paciente. A comunicação está além dos instrumentos Embora as tecnologias sejam muito importantes, a comunicação está no vínculo que há entre essas pessoas", disse.

Entre outros cursos oferecidos no dia 17 de outubro, estavam “Racismo e Saúde da População Negra (por Altair Lira – Associação Bahiana de Anemia Falciforme); Gestão do Trabalho em Saúde (NUPGASP – Saúde Coletiva/UFES); Saúde Mental e Saúde da Criança (Ariana Lucero– PPGPSI); Saúde Indígena e saberes tradicionais (Vilma Benedito - Tupinikim); Saúde e Processo de trabalho (Rafael Gomes, PPGPSI e Depto Psicologia UFES); Saúde do Idoso (Centro de Referência de Atenção ao Idoso de Vitória/ES); Reivindicação de Direitos (Felipe Dutra Asensi – LAPPIS/IMS/UERJ); Teatro do Oprimido (Cesar Paro – LAPPIS/IMS/UERJ); Itinerários Terapêuticos – (Tatiana Gerardt – PPGCOL –UFRGS); e Internet e Saúde: perspectivas metodológicas para estudos e pesquisas (Elaine Rabello, professora IMS/UERJ e ADRIANA ILHA, professora LABIC/UFES).

Texto de Jackeline Oliveira com supervisão jornalística de Flaviano Quaresma.

O 17º Seminário do Projeto Integralidade: saberes e práticas no cotidiano das instituições de saúde, que traz como tema central "AMOR MUNDI, POLÍTICAS DA AMIZADE E CUIDADO: A VIDA NA SAÚDE", promovido pelo Lappis/IMS/UERJ, com apoio da Capes e Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e que vai acontecer nos dias 17, 18 e 19 de outubro, Vitória (ES), abriu chamada de hospedagem solidária para cadastro de anfitriões residentes em Vitória e de hóspedes vindos de outras localidades que possuem dificuldades de custear as despesas de hotelaria.

O processo é simples: há disponíveis dois formulários, um para os que desejam hospedar os visitantes, e outro para os que desejam se candidatar a hóspede. O cadastro deverá ser realizado até o dia 18 de setembro. É também a partir desta data, que o Lappis inicia o trabalho de colocar em contato os anfitriões e seus respectivos hóspedes, caso sejam relacionados. O Lappis só terá a responsabilidade de atuar como mediador entre os anfitriões e hóspedes. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Inscreva-se:

Para aqueles que podem e querem ser ANFITRIÕES durante o período do evento, faça seu cadastro AQUI

Para aqueles que desejam se cadastrar como candidatos a HÓSPEDES, faça seu cadastro AQUI

Inscreva-se no 17º Seminário do Projeto Integralidade AQUI

 

Conforme deliberação de assembleia conjunta realizada pela Presidência, APG Fiocruz e Asfoc no último dia 15 de agosto, na Fiocruz-RJ (http://campusvirtual.fiocruz.br/?q=node/29805 e https://apgfiocruz.wordpress.com/2017/08/17/assembleia-conjunta-de-pos-graduandos-e-pesquisadores-da-fundacao-oswaldo-cruz/) será realizada no dia 22 de agosto a paralisação dos alunos de pós-graduação da Fiocruz.
 
Já no dia  23 de agosto de 2017, às 10h, será realizada audiência pública sobre a FAPERJ (bolsas, cortes, etc.), na ALERJ.
 
Veja programação do dia 22/08:
 
9h: concentração e confecção de cartazes na estação do trenzinho (levar cartazes, canetas, apitos, etc.)
10h: debate/discussão sobre bolsas, papel da pós graduação e próximos passos
12h: caminhada pelo campi da Fiocruz

 

Em reunião realizada ontem, 27, em Brasília, a Comissão Intergestores Tripartite - CIT iniciou o processo de Revisão da Política Nacional de Atenção Básica - PNAB. Até 06 de agosto, a minuta produzida pelo Departamento de Atenção Básica - DAB está disponível para consulta pública no FormSUS, neste link. 

Pela manhã, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva - Abrasco, o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde - Cebes e a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca - ENSP/Fiocruz já haviam se posicionado publicamente contrárias a qualquer tentativa de revisão de uma das políticas estruturantes do SUS justamente no momento de maior ataque aos direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal de 1988.  

Ao instituir equipes de Atenção Básica, a minuta abole na prática a prioridade da Estratégia do Saúde da Família (ESF) em um contexto de retração do financiamento e sem perspectivas de recursos adicionais, podendo levar à desestruturação de quase vinte anos da implementação da Atenção Primária em Saúde no país.

Confira a nota Abrasco/Cebes/ENSP

Contra a reformulação da PNAB

A Abrasco, o Cebes e a ENSP se manifestam contra a revisão da Política Nacional de Atenção Básica – PNAB que pode ser aprovada ainda hoje, durante a 7ª Reunião Extraordinária da Comissão Intergestores Tripartite – CIT.

As atuais ameaças aos princípios e diretrizes do SUS de universalidade, integralidade, equidade e participação social parecem não ter fim. Não bastasse o estado de sítio fiscal imposto por um governo ilegítimo e golpista com a promulgação da EC 95 que fere de morte o SUS ao agravar o subfinanciamento crônico, reduzindo progressivamente seus recursos por 20 anos, agora nos defrontamos com uma proposta de reformulação da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB).

Causa imensa preocupação a proposição de uma reformulação da PNAB num momento de ataque aos direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal de 1988. A revisão das diretrizes para a organização da Atenção Básica proposta pelo Ministério da Saúde revoga a prioridade do modelo assistencial da Estratégia Saúde da Família no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Embora a minuta da PNAB afirme a Saúde da Família estratégia prioritária para expansão e consolidação da Atenção Básica, o texto na prática rompe com sua centralidade na organização do SUS, instituindo financiamento específico para quaisquer outros modelos na atenção básica (para além daquelas populações específicas já definidas na atual PNAB como ribeirinhas, população de rua) que não contemplam a composição de equipes multiprofissionais com a presença de agentes comunitários de saúde. Esta decisão abre a possibilidade de organizar a AB com base em princípios opostos aos da Atenção Primária em Saúde estabelecidos em Alma-Ata e adotados no SUS.

O sucesso da expansão da atenção básica no país nos últimos anos e seus efeitos positivos no acesso a serviços de saúde e na saúde da população decorre da continuidade da indução financeira da Estratégia Saúde da Familia sustentada ao longo do tempo e reforçada nos últimos três anos com o Programa Mais Médicos. Resultados de pesquisas evidenciaram, sistematicamente, a superioridade do modelo assistencial da Saúde da Família quando comparado ao modelo tradicional. Sua maior capacidade de efetivação dos atributos da atenção primária integral produz impacto positivo sobre a saúde da população, com redução da mortalidade infantil, cardiológicas e cerebrovascular e das internações por condições sensíveis à atenção primária. Ao financiar com PAB variável a atenção básica tradicional, a proposta de reformulação da PNAB ameaça estes sucessos. Além de abolir na prática a prioridade da ESF, em um contexto de retração do financiamento e sem perspectivas de recursos adicionais, é muito plausível estimar que o financiamento destas novas configurações de atenção básica será desviado da Estratégia Saúde da Família.

A esta reformulação somam-se outras questões críticas do financiamento da atenção básica decorrentes do fim dos blocos de financiamento do SUS. Esta decisão penaliza a capacidade de indução do SUS em favor da Saúde da Família e da Atenção Básica, não garantindo sua prioridade nos governos municipais. Nossa crítica não contradiz a necessária adequação da rede básica de saúde às especificidades loco regionais, que devem ser financiadas mediante um aumento considerável do PAB fixo, cujo valor médio nacional de R$24,00 per capita ao ano é quase irrisório, estando muito defasado frente aos custos de manutenção e desenvolvimento dos serviços necessários para responder às necessidades de saúde da população. Urge majorar o PAB fixo para ampliar capacidades e autonomia das secretarias municipais de saúde, mantendo a prioridade à Saúde da Família.

A reformulação proposta também ameaça a presença do Agente Comunitário de Saúde como integrante e profissional da atenção básica. Com a expansão da Saúde da Família com cobertura de territórios em áreas urbanas de diferentes estratos socioeconômicos faz-se necessário fortalecer o papel do ACS, redefinindo e qualificando sua intervenção na comunidade como agente de saúde coletiva, elo entre o serviço de saúde e a população. O ACS conhece e reconhece as necessidades populacionais do território e devem ser contemplados com estratégias de educação permanente que apoiem seu trabalho de promotor da saúde, atuando na mobilização social para enfrentamento dos determinantes sociais e em ações estratégicas frente aos problemas de saúde da população.

Preocupante também é a implantação de modo simplificado, ou reducionista, de uma “relação nacional de ações e serviços essenciais e estratégicos da AB”. A ferramenta pode contribuir para a garantia de padrões essenciais mínimos mais qualificados e uniformes em todas as unidades básicas de saúde do país e mesmo de padrões estratégicos mais avançados de acesso e qualidade. Entretanto, cabe alertar que este dispositivo também denominado “carteira de serviços” ou “cesta de serviços” tem sido utilizado para definir oferta seletiva de procedimentos acoplada à implementação de seguros focalizados, em resposta simplificada às demandas de cobertura universal das agências internacionais. No Brasil, este instrumento poderá comprometer a integralidade da AB e do SUS se não houver um compromisso explícito de gestores e profissionais de saúde com oferta ampla e de qualidade das ações, conforme as necessidades de saúde da população.

Contra a reformulação da PNAB. Nenhum direito a menos! Em defesa do SUS público universal de qualidade e pela revogação da EC 95.

28 de julho de 2017

Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde – Cebes
Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca – ENSP/Fiocruz
 

A contar pela situação orçamentária atual, as bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) serão pagas com dificuldade daqui até o fim do ano.  

No ano que vem, a menos que o governo reverta o contingenciamento, os pagamentos serão interrompidos ainda no primeiro semestre.

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